Questão de concordância


Passado o clima de eleições, passo a militar numa causa que não é do interesse geral da nação, é particular, mas da qual faz bem falar, para o contágio necessário. Estou apaixonado. Mais que isso, mais que uma simples paixão, dessas que acontecem no ônibus, no bar, no museu, na internet, que afeta crianças, velhos, adolescentes, bêbados e funcionários públicos, estou amando de verdade. É querido leitor, você pode estar achando esse papinho muito água com açúcar, e de fato o é.

Para não dizer que não foi cliché, aconteceu quando eu menos esperava. Nunca entendi muito de gostar, amor, paixão, suas classificações, sutilezas, diferenças e todos os etceteras, mas posso dizer que no momento estou a viver um combo desses sentimentos e muitos outros que não tive memória o suficiente para buscar o nome. Eu gosto dela, eu estou apaixonado por ela, estou a sentir por ela a cada dia sensações diversas nunca antes experimentadas que só posso dizer: estou amando-a.

Até então, fosse apenas pelo que disse, a coisa não estaria completa. Esse amor de apenas uma via é só suposição, quase farsa. Vejo o bem que faço a ela refletido em mim no bem que ela me faz. Concordamos em nossa paixão e assim podemos dizer: Estamos nos amando. Você que já passou por isso sabe bem do que falo, de como os sentimentos agitados e quase confusos da paixão, vão se ajeitando, até que a alma e o corpo tomem prumo. Você que ainda não sentiu, deixo como conselho que espere, apenas.

Finalmente quero dizer que esse amor, o último e o maior, me completa enquanto poeta. Hoje eu consigo entender melhor aqueles sonetos apaixonados que escreveu o poetinha, aqueles mesmos do primeiro livro, do meu primeiro contato com a poesia. Entendo quando Vinícius, bêbado, disse sentir vontade de bater à porta da ex mulher mas ter algum medo; um amor desses não acaba com um simples acordo de separação. Agora deixe-me ir, vou contar o tempo para diminuir a espera.
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