Tratado de crentologia: Homossexualidade



A religião me ensinou que gays não prestam. Que pessoas do mesmo sexo que se amam arderiam eternamente no fogo do inferno apenas porque se amam, porque praticam o sexo como parte inseparável desse amor.

Na verdade a religião foi apenas uma das partes envolvidas. Desde pequeno eu me lembro de ouvir que homem com homem dá lobizomem e mulher com mulher dá jacaré. Que cor de mulher é rosa e cor de  homem é azul. Há também aquela história de que não se podia brincar na casinha das meninas, mesmo sendo o pai, o tio, o filho, etc, sobre pena de parecer boiola. Como se menina que brinca de polícia e ladrão fosse virar uma delegada lésbica quando crescer apenas por conta disso.

Mais tarde, a Igreja me ensinou que a homossexualidade era uma abominação, uma doença, que os homossexuais precisavam ser libertos de uma carga espiritual que os atormentava. Hoje eu sei que quem precisa de libertação são aqueles pastores, eles sim são um tormento. Aprendi então que era natural olhar torto para o colega de classe afeminado, que não era errado chamá-lo de viadinho.

Novamente, a sociedade entrou na história: me disseram que era uma afronta contra os bons costumes a imagem de dois homens se beijando, mas que se fossem duas mulheres, seria normal, natural e excitante. Seguindo por esse caminho chegamos a gente que se gaba de não ter nenhum homossexual na família e a outros que tem tanto medo de admitir o que de fato gostam que passam a ser hostis.

Quero pedir desculpas às pessoas que foram vítimas do preconceito que eu tinha, mesmo que elas nunca venham a ler o que aqui escrevo. Aproveito para também reafirmar meu compromisso em amar os que são diferentes com aquele espírito de que, no fundo, diferença nenhuma há. Aproveito também para usar as palavras que os religiosos bem conhecem para deixar um recado: O mais importante é o amor.
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