Desconhecida ausência.




















Parei de fumar. Não faz tanto tempo assim que fumo, aliás, eu já fui daqueles que torcia o nariz pra quem fumasse perto, e no fundo ainda sou pois sei que o cheiro que sai incomoda, mas a sensação e as vezes o sabor que entra é bom. Supre uma falta. Uma falta pequena que é filha daquela bem grande que existe em todos nós.

Todo mundo nasce com essa ausência. Só que quando se é pequeno nem tem muito tempo pra perceber. A gente tem pai, mãe, irmãos, amigos, tarefas da escola, curso, brincadeira na rua, video-game, desenho animado. A gente cresce, muito disso vai se perdendo, a falta que nasce com a gente continua lá, vai ganhando espaço, vai crescendo e quando a gente vê só sobra ela.

É como se a gente fosse uma casa, e essa falta toda do que não se sabe fosse uma semente de uma árvore desconhecida plantada dentro de nós. No começo ela cresce bonita, com folhas verdes, vem as primeiras flores, essas coisas todas que a gente usa para ornamentar a árvore-ausência.No natal colocamos até umas lâmpadas que ajudam até a iluminar a escuridão dentro de nós.

Mas com o tempo a ausência se torna grande demais. A falta se torna insuportável, então apelamos. Apelamos para o cigarro, a mesma marca de sempre. Apelamos para a noite, para a boate segunda, classe para a festa com o desconhecido, para o sexo, para os amores que nunca existirão. Buscamos até na religião. Chegamos bem perto de suprir a falta, na mesa do bar ao lado do amigo ou na reunião dominical fazendo prece pelo semi-estranho sentado ao lado. É que só suprimos a falta quando amamos. Essa falta bem grande é no fundo a ausência da plenitude do amor. Façamos, vamos amar.
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